CAGED: tudo sobre o Sistema 5

Já ouviu falar no CAGED, também conhecido como Sistema 5? Se não, garanto que vale a pena aprender.

E, se já ouviu falar, mas ainda não entendeu totalmente, vem com a gente.

Ao final deste artigo, você saberá o que é CAGED e como ele poderá te ajudar nos estudos de teoria e escalas.

Suas improvisações e arpejos ficarão melhores. Você aprenderá novas formas de montar os acordes básicos. Seus estudos de escalas ficarão mais fáceis.

E esses são apenas alguns dos benefícios do CAGED. Então, vem com a gente.

O que é o CAGED, o sistema 5

Sem muito segredo, CAGED é um método de memorização do braço do violão. Ele se baseia nos acordes , , Sol, Mi e , que lhe dão o nome: CAGED.

Cada um desses acordes possui uma fôrma primária.

Ela começa nas primeiras casas do instrumento, aproveitando as cordas soltas para soar o acorde perfeitamente.

Contudo, valendo-se da pestana, é possível criar novos acordes aproveitando a mesma fôrma, só percorrendo a extensão do braço.

E como funciona? Ora, é bem simples: Se utilizamos a fôrma convencional de C e adicionarmos uma pestana começando na segunda casa do violão, temos um D.

Você reparou que, fazendo a pestana na segunda casa, todos os outros dedos formam o mesmo desenho do C? Isso porque o D está dois semitons depois do C, ou seja, duas casas do braço.

Sabendo disso, é possível supor que, realizando o mesmo esforço na quarta casa, então teremos um E. Na quinta, um F, e assim por diante. E o mesmo vale para as outras fôrmas:

  • Se montamos o desenho de A com pestana na segunda casa, temos um B;
  • Ao aproveitarmos o desenho de G com pestana na segunda casa, temos o A;
  • Fazendo o desenho de E, com pestana na primeira casa, temos um F;
  • Utilizando o desenho de D, mas com pestana na segunda casa, temos um E.

É apenas importante estar atento quando há linha livre na fôrma principal. Um exemplo é o A, no qual os dedos só vão na segunda linha. Nesses casos, a linha vaga deve ser mantida após a pestana.

Um exemplo simples de CAGED

Para esclarecer ainda mais o CAGED, vamos considerar todos os acordes C possíveis no braço do violão. Por questões ergonômicas, vamos trabalhar apenas com aqueles até a casa 12.

  • na fôrma primária de C, começando com o indicar na primeira casa da corda B, temos um ;
  • se utilizarmos a fôrma primária de A, fazendo a pestana na terceira casa, temos outro ;
  • com a fôrma de G, fazendo pestana na quinta casa, temos outro ;
  • aproveitando a fôrma de E, com pestana na sétima casa, temos mais um ;
  • utilizando a fôrma de D, mas com meia pestana na décima casa, mais um .

E nem preciso dizer que isso vale para todos os acordes em todas as fôrmas. Basta calcular os intervalos entre a nota que temos e a que queremos.

Desse modo, a fôrma de E com pestana na terceira casa resulta num G. Porém, um G mais magro, mais contido.

E é preferível, se estivermos tocando com amplificação.

Aqui aparece a segunda utilidade prática do CAGED: sonoridades novas.

Utilizando CAGED para sonoridades diferentes

Já se ligou em como o Red Hot Chili Peppers cria sua assinatura musical? Flea abusa de linhas complexas de baixo, não é?

Enquanto isso, o John Frusciante faz arpejos e acordes bastante agudos.

Essa distância entre agudos e graves torna tudo mais claro, mais fácil de perceber. E, óbvio, a música fica mais bonita. E quem nos permite isso é o CAGED.

Basta você pegar o seu violão e começar o mapeamento do braço. E sim: o braço do violão não é tão extenso só por causa dos solos.

Há muito que podemos fazer explorando suas casas.

Com seu violão, toque o C convencional, lá na primeira casa. Depois, toque ele com a fôrma de E, lá na sétima casa. Não soam muito diferentes?

Isso ocorre porque, fazendo o na sétima casa, acrescentamos uma oitava nova. Fazendo tal, o som brilha mais, por estar mais agudo.

É maravilhoso trabalhar esses acordes mais agudos quando tocamos em banda.

Contudo, mesmo que toque sozinho, é sempre interessante experimentar. Você pode tornar uma música muito simples em algo mais trabalhado.

Basta identificar as diferentes formas de montar acordes pelo braço do violão.

O Sistema 5 na improvisação

Sendo uma estratégia de memorização do braço, o CAGED ajuda a mapearmos o braço. E isso não é apenas útil para explorarmos acordes. Ele também serve na digitação das escalas.

Acontece que todo acorde é formado por determinadas notas. E elas se repetem algumas vezes, quando montamos os acordes.

Considerando a fôrma de C e o acorde C, temos a nota nas casas:

  • 1 da corda B;
  • 3 da corda A.

Na fôrma de A, com esse mesmo acorde, temos a nota nas casas:

  • 0 da corda A (solta);
  • 2 da corda G.

Com G, temos a nota Sol nas casas:

  • 3 da corda e;
  • 0 da corda G (solta);
  • 3 da corda E.

Com E, em sua fôrma convencional, temos a nota nas casas:

  • 0 da corda e (solta);
  • 2 da corda D;
  • 0 da corda E (solta).

Finalmente, com D temos as cordas:

  • 3 da corda B;
  • 0 da corda D (solta).

Ao percorrermos o braço, recordando das fôrmas do CAGED, fica mais fácil identificar as próximas notas daquela escala. Afinal, na fôrma, já temos a , e, pelo menos, uma .

Quanto mais estudamos e mais praticamos, mais rápido será identificar as notas na extensão do braço.

Quando estivermos craques no tema, arpejos e solos, além de mais práticos, poderão ser mais bonitos e complexos.

Explorando digitações novas, podemos encaixar outras escalas, embutir décimas, enfim… Um novo mundo se apresenta.

Algumas considerações no estudo do CAGED

Você já sabe o que é e como o CAGED pode te auxiliar a tornar-se um músico melhor. Mas algumas observações são importante, para evitar erros futuros.

Em primeiro lugar, temos que sempre manter a fôrma primária como ela é.

Isso significa que, se alguma corda não pode ser tocada no começo do braço, tampouco deve na extensão.

Os principais acordes, para se tomar cuidado, são A e D. No A, não devemos tocar a corda. No caso de D, só devemos tocar as cordas e, B, G e D.

Quando tocamos cordas indevidas, podemos estar produzindo acordes que não queremos.

E ainda pior: podemos fazer soar notas descabidas, deixando a melodia feia.

Falando sobre a fôrma de G, quando transpomos pelo braço, é importante ignorar a 1ª corda. Fazemos isso para tornar mais fácil montar o acorde.

Outro ponto importante diz respeito às pestanas. Se não preciso tocar aquela corda, não é necessário levar a pestana até lá.

Isso diminui o esforço no pulso, evitando ferimentos ou complicações físicas.

E então? Gostou da matéria? Se sim, não se esqueça de compartilhar com seus amigos nas redes.

Porém se ainda ficou alguma dúvida, não se preocupe. Basta você deixar um comentário que, mais rápido que o Flash, nós te ajudamos.

Afinal, nosso maior prazer é o seu aprendizado. Fique conosco para mais matérias.

E agora que você já sabe tudo sobre CAGED, veja também a nossa análise dos melhores cursos de violão.

Até mais, caro aluno. Um abraço!

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About the Author: Mario Feitosa

Músico e compositor popular, o premiado escritor Mario Feitosa é especialista em tecnologia, poeta e redator. Baixista e violonista com décadas de experiência, seu compromisso é transformar a Música em matéria universal.

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