Aprenda formação de acordes e livre-se de uma vez dos dicionários

Dicionários de acordes podem ser uma mão na roda, quando começamos a aprender violão. Mas, enquanto progredimos, carregar um livro imenso ou consultar toda vez que não se conhece uma forma torna-se um problema. E é por isso que você deve estudar formação de acordes.

Hoje, vamos esclarecer definitivamente o que são e como funciona a formação de acordes. Com a teoria de formação de acordes, CAGED e um pouco de treino, você conseguirá facilmente fabricar qualquer variação sem depender de nada para isso.

Sem decoreba nem esquemas complexos, aprenda conosco tudo sobre formação de acordes e ganhe autonomia em seu aprendizado. Vem conosco!

O que são os acordes

Antes de tudo, é importante pensar na natureza dos acordes para, com isso, tornar mais fácil o estudo. Sabendo de que falamos, ficamos mais livres para assimilar suas características.

Para tal, basta saber que um acorde é um conjunto de notas que, soando juntas, embelezam e destacam a nota principal. A essa, a tal principal, chamamos “tônica”. E ela lhe dá o nome.

Como vimos antes, a partir de qualquer nota temos sete graus de progressão até retornarmos à inicial. Cada grau obedece a um intervalo específico, podendo ser uma nota natural ou acidente. No oitavo grau, temos a mesma nota outra vez, embora mais aguda. Ela é a oitava.

Quando falamos de formação de acordes, há dois esquemas básicos a seguir: tríade e tétrade. Vejamos o que cada um significa na prática. Vamos lá?

Tríade: o esquema de formação dos acordes básicos

Como o próprio nome denuncia, uma tríade é formada por três graus. Reparou no prefixo grego “tri”? Tricampeão, trilíngue, triatleta. Quando ouvir falar em “tríade”, lembre-se: três graus.

Numa tríade, como os acordes básicos em cordas soltas, temos os seguintes graus:

  • tônica: a nota que dá nome ao acorde, e a primeira da escala em questão;
  • terça: ela se encontra a dois tons da tônica, ou seja, quatro semitons depois;
  • quinta: encontra-se a três tons e meio da tônica, ou sete semitons depois — três depois da terça.

Para não continuar falando grego, pensemos no acorde de Dó maior (C). Sendo maior, a escala que utilizaremos também será a escala maior. Por isso, temos este esquema:

         
T   T   T T   T   T   T T
C C# D D# E F F# G G# A A# B C
C Db D Eb E F Gb G Ab A Bb B C

E lembre-se: se ainda não entende muito bem essa tabela, basta visitar as matérias que apontamos acima. Nelas, você terá acesso a explicações detalhadas sobre intervalos, escalas, acidentes e muito mais.

Partindo de Dó (C), se separamos tônica, terça e quinta, temos: C – E – G. Três graus que, soando juntos, destacam e embelezam a nota principal. Monte o acorde básico em seu violão e repare como, juntas, essas notas cantam um .

Sabendo o que é uma tríade e como é formada, passemos, então, a conhecer suas irmãs mais velhas: as tétrades.

Tétrades: mais riqueza e sonoridade na formação de acordes

Já ouviu falar de Dó com sexta e nona? Ou, quem sabe, de Ré maior com sétima e nona? Não é raro encontrar acordes assim em músicas elaboradas. Eles correspondem a tétrades.

Como no caso das tríades, o prefixo “tetra” deixa escapar a razão do nome. Em tetracampeão, tetraplégico, estamos falando do numeral “quatro”. No caso de acordes, quatro notas.

Embora pareça bobagem que uma única notinha tenha tanto peso, saiba que sim. Acrescentar uma nota à tríade não só modifica fortemente a sonoridade como a enriquece.

Já tocou alguma música que, antes de um F, dependia de um C7? O C7 não “pedia”, quase implorava pelo acorde F? Eis a magnitude das tétrades.

De diminutos a acordes com elaboração ímpar, as tétrades são o tema mais importante, quando estudamos formação de acordes. Vamos focar nelas nosso estudo.

A lógica da formação de acordes em tétrade

Assim que começamos a tocar músicas mais complexas, somos obrigados a abandonar as tríades. Isso porque queremos sonoridades mais trabalhadas e chamativas para os ouvintes. A formação de acordes mais complicados nos leva direto às tétrades.

O que acontece é que, nas tétrades, não há um esquema fechado, como antes. Aqui, o grau que será acrescentado não é fixo. Ele depende do que se procura e espera na formação de acordes.

Posso perfeitamente querer uma quarta. Posso, também, querer uma sétima, uma nova, uma quinta. Posso, ainda, querer uma décima primeira, ou juntar uma sexta e uma nona. Quem sabe, uma sétima e uma quinta diminuta. As possibilidades são infinitas.

Mas imagine decorar esse infinito de variações. Impossível não é mesmo?

Desse modo, quando falamos de formação de acordes em tétrade, precisamos estar craques nas escalas e intervalos. Quanto mais tranquilos estivermos com isso, maior será nossa agilidade e autonomia.

Porém, logo de cara, não se preocupe. Você pode usar e abusar do papel e das tabelinhas. Imprima ou escreva por si, se for o caso. Importa apenas que você deixe de lado os diagramas.

Vejamos, então, alguns exemplos práticos de tétrade. A tabelinha te ajudará a calcular mais rápido. Para as possibilidades, acompanhe as tablaturas. Se ainda não sabe lê-las, basta visitar nosso guia. Ele tirará todas as suas dúvidas.

Formação de acordes em exemplos práticos

Dó maior com sétima

Um exemplo bem convencional de tétrade é o C7, o Dó maior com sétima. Como dissemos antes, ele serve como preparativo para um F. Agora, a tabelinha:

         
T   T   t T   T   T   t T
C C# D D# E F F# G G# A A# B C
C Db D Eb E F Gb G Ab A Bb B C

Reparou que, além da tríade básica, temos o acréscimo do sétimo grau? Ele, quatro tons e meio distante da tônica, passa a soar também. Eis a sétima que pretendíamos: o sétimo grau da escala.

Formando o acorde, no braço do violão, temos o que segue:

formação de acordes C7
Dó maior com sétima (C7)

Repare que ocorreu esta produção de notas, no primeiro exemplo:

  • corda e solta, soando Mi (E);
  • a corda B, pressionada na primeira casa, soando Dó (C);
  • G, pressionada na terceira casa, soando Si (B);
  • D, pressionada na segunda casa, soando outro Mi (E);
  • A, pressionada na terceira casa, ou seja, um outro Dó (C).

No segundo:

  • e pressionada na terceira casa: Sol (G);
  • B pressionada na quinta casa: Mi (G);
  • G pressionada na terceira casa: Si (B);
  • D pressionada na quinta casa: Sol (G);
  • A pressionada na terceira casa: Dó (C).

No terceiro esquema, temos:

  • e pressionada na oitava casa: Dó (C);
  • B pressionada na oitava casa: Sol (G);
  • G pressionada na nona casa: Mi (E);
  • D pressionada na oitava casa: Si (B);
  • A pressionada na décima casa: Sol (G);
  • E pressionada na oitava casa: Dó (C).

Quando a quinta é suprimida na formação de acordes

Se você prestou bastante atenção nos exemplos, reparou que, no primeiro, o G não aparece. Temos apenas C – E – B (1ª, 3ª e 7ª). E fez muito bem.

Acontece que, embora a quinta (G) não tenha aparecido, ainda assim temos uma tétrade. Mesmo que só três notas se apresentem, uma delas não faz parte da tríade natural.

Nos casos em que seja impossível acrescentar a terça junta às três da tríade, na formação de acordes, está tudo bem em deixa-la de lado. E o mesmo pode ocorrer quando uma delas está repetida.

Mas lembre-se: só vale suprimir quintas e as repetições de tônicas e terças. Nunca deixe faltar outra nota senão essas.

Dó com quarta

Agora, vamos revisitar a tabela e descobrir qual é o quarto grau de C, para fabricarmos o acorde:

         
T   T   T T   T   T   t T
C C# D D# E F F# G G# A A# B C
C Db D Eb E F Gb G Ab A Bb B C

Logo de cara, percebemos que um F deve ser incluído à tríade. E importa pouco se o G vai caber ou não no desenho. As quintas, como já dissemos antes, podem ser excluídas, se preciso for. Vejamos:

Formação de acordes C4
Dó maior com quarta

Na primeira amostra:

  • e, solta, soa um Mi (E);
  • B, pressionada na primeira casa, soa um Dó (C);
  • G, solta, lança um Sol (G);
  • D, na terceira casa, ressoa um Fá (F);
  • A, pressionada na terceira casa, emite um Dó (C).

Nem precisamos as variações seguintes: temos quatro notas. Quatro notas resultam numa tétrade: C – E – F – G. E tudo soa mais rico e belo que num C convencional.

A estratégia de formação de acordes complexos

Provavelmente, você já entendeu qual é lógica por trás da formação de acordes. Basta identificar a nota solicitada e acrescentar. Mas nem tudo é tão simples.

Você pode — e deve — suprimir a quinta quando for impossível de posicionar os dedos. Deve ignorar cordas, quando as notas não couberem no acorde.

Mas como funciona? Como escolher qual dedo tirar ou acrescentar. E, aqui, repousa um dos maiores segredos, que compartilharei com você. O primeira deles é:

A nota mais grave deve ser a tônica

Pouco importa se a tríade de Dó (C) leva um E. E sim: a sexta corda, a mais grave, soa E, e E faz parte da tríade de C. Mas ela não deve ser tocada. E é bem simples.

Se o acorde é C, o mais grave dos sons deve ser um . Sempre! Se há cordas sobrando, mas não é possível que o último som seja outro , então a corda não deve vibrar. E isso vale para todos.

Quando toco um C, mas deixo vibrar a sexta corda, toquei um C/E: Dó com baixo em Mi. Se toco um A, mas vibram seis cordas, toquei A/E. O mesmo vale para D: se cinco cordas soaram, não é D, mas D/ARé com baixo em Lá.

Inicie o acorde por sua nota principal. Ignore as cordas que sobrarem e pule as intermediárias. Toque unicamente o que deve ser tocado. Combinado?

Identifique as notas, no braço do violão

Não adianta chutar. E será bastante complicado “pescar” qual casa corresponde à nota certa. Portanto, calcule e memorize o máximo que puder a distribuição da escala. O CAGED vai te ajudar bastante nisso. Por isso, leia nossa matéria, apontada acima.

Memorize o transporte

Se um Dó com sétima e nona está desenhado na terceira casa, ele se repetirá na quinta, mas como D7(9). Se você já sabe a formação de acordes em uma escala, movimente-se pelo braço. A repetição te entregará o sucesso.

Sistematize as escalas na formação de acordes

Boa parte da formação de acordes diz respeito ao conhecimento de escalas. São elas as verdadeiras responsáveis pelo bom posicionamento dos graus.

Quando sentir que se perdeu, progrida, dedo a dedo, numa escala conhecida e você encontrará qual nota é necessária.

Treine, treine e treine um pouco mais. A matemática, eventualmente, será assimilada por você.

Quando a fôrma for desconfortável

Eventualmente, você acabará se deparando com acordes desconfortáveis de montar. Quanto mais complexos, mais a situação irá se repetir.

Mas não se desespere: treino e exercícios de alongamento farão que, progressivamente, você consiga produzi-los com perfeição.

E o tempo é seu! Não importa se um amigo ou vizinho conseguiu resultados melhores mais rápido. Não é uma competição. Esforce-se, e tudo acontecerá a seu tempo. Sem neuras, caro aluno.

Gostou da matéria? Então não se esqueça de compartilhar em suas redes sociais. Caso alguma dúvida persista, compartilhe conosco nos comentários. Será um prazer esclarecer ainda mais como funciona a formação de acordes.

Para nós, tudo que importa é seu aprendizado e progresso. Queremos que você se torne um Jedi do violão. E não pouparemos esforços.

Continue conosco para receber mais artigos. Num piscar de olhos, você irá dominar as técnicas e teorias. Você estará tocando violão feito um mestre muito em breve. Volte logo, aluno. Você é nosso melhor aprendiz.

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About the Author: Mario Feitosa

Músico e compositor popular, o premiado escritor Mario Feitosa é especialista em tecnologia, poeta e redator. Baixista e violonista com décadas de experiência, seu compromisso é transformar a Música em matéria universal.

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