Como trocar as cordas do violão de forma ágil e prática

Como trocar Cordas do Violão

Embora tarefa simples e recorrente, trocar as cordas do violão pode parecer assustador. Afinal, e se falhamos em algo? Como encontrar, mais tarde, a afinação correta?

Há vinte anos, quando tive meu primeiro violão, a troca de cordas parecia coisa de outro mundo. Naquele tempo, preferia contar com a ajuda de um amigo para ter cordas novas.

Todavia isso é impraticável. Especialmente quando essa pessoa é inacessível, por morar longe, por exemplo.

Assim, como sei da importância deste tema, decidi escrever a respeito. Neste artigo, você conhecerá todos os macetes do processo de troca. Além disso, sairá com dicas imperdíveis!

Por isso, olhos atentos até o final, combinado? Será um prazer transmitir confiança suficiente para que você possa, com agilidade, realizar um trabalho perfeito.

Vamos lá?

O porquê de trocar as cordas do violão?

Como trocar as cordas do violão

A primeira pergunta que vêm à mente é a respeito do motivo da troca de cordas. Afinal, estamos falando de materiais tremendamente resistentes, como no caso do aço.

Desse modo, se a corda não estourou, por que trocá-la? Você já se perguntou? E a resposta é simples: qualidade do som e manutenção do instrumento. Estes são os principais fatores.

Ocorre que toda a majestade do violão se deve à vibração das cordas em frequências exatas. Justamente por isso é tão importante saber afinar o violão corretamente.

Sabendo disso, devemos compreender que, como tudo no mundo, as cordas se desgastam com o tempo. Até por isso, eventualmente, elas estouram sozinhas por vários fatores.

Quando desgastadas, as cordas podem:

  • Produzir resíduos indesejáveis, que estragam o instrumento e ferem os dedos;
  • Perder afinação com frequência, até mesmo várias vezes durante a mesma música;
  • Tornar-se incapazes de produzir a frequência exata, soando desafinadas;
  • Estourar com maior facilidade, atrapalhando uma apresentação ou treino.

Trocando-as, portanto, garantimos nossa saúde, a qualidade de nossa música e, claro, a durabilidade de nosso violão. Uma situação de muitos ganhos, não é mesmo?

Com qual frequência devo trocar as cordas do violão?

Aqui, não é possível dar uma resposta única. Isso porque o músico irá trocar as cordas do violão de acordo com suas possibilidades e necessidades.

Há quem tenha o violão como passatempo esporádico. Não chega a tocá-lo mais que uma vez por mês durante alguns minutos.

Nestes casos, com pequenos cuidados, como limpar as cordas e guardar o violão com capa, elas durarão muito. Falamos, até, de passar mais de um ano sem trocar as cordas do violão.

Todavia, quando há mais uso do instrumento, mesmo com manutenção, serão necessárias trocas mais frequentes. Quanto mais toca-se, maior a frequência de trocas.

Obviamente, nestes casos, gasta-se mais. Porém falamos de uma necessidade real. Assim, busque não ultrapassar seis meses sem uma troca. E, claro, mantenha-as sempre limpas.

Em casos de uso profissional do violão

Quando utilizamos o instrumento com finalidade profissional, será imprescindível trocar as cordas do violão sempre. Inclusive, trocas semanais ou quinzenais fazem-se necessárias.

E, mesmo que pareça exagero, não é. Trata-se, na verdade, de um investimento. Gasta-se muito, mas a sonoridade do instrumento e os efeitos da corda nova estão sempre presentes.

O que um músico profissional pode querer mais que brilho, frescor e timbre impecável, não é mesmo?

Trocar as cordas do violão na prática

Toda essa introdução buscou esclarecer temas importantes sobre a troca de cordas. Agora que você já conhece todos esses fatores, chegou a hora de aprender a trocar as cordas do violão.

Assim, quando notou as cordas enferrujadas, perdendo afinação ou soando mal, seguirá estes passos.

Com atenção, delicadeza e paciência, você conseguirá resultados perfeitos. E digo isso tanto funcionalmente como esteticamente. Além de soar bem, o violão deve estar sempre bonito.

Comecemos, então. E o primeiro ponto que trarei será a retirada do encordoamento antigo. Vem comigo!

Retirar cordas do violão

Passo 1: Retirando o encordoamento antigo

Obviamente, para trocar as cordas do violão, é necessário retirar as antigas. Contudo é importante saber que nem todo violão suporta bem o susto de ter as cordas retiradas.

Por isso, é mandatório conhecer bem o próprio instrumento. Ele possui tensor no braço — aquele parafuso compensador de tensão —? A ponte é reforçada?

Ocorre que, em instrumentos mais básicos, sofrer o alívio da tensão das cordas pode ser prejudicial. O maior risco, aqui, é o empenamento do braço ou fragilidade da ponte.

Assim, tenha em mente:

  • Em violões de custo mais baixo, vale a pena soltar e trocar corda por corda, nunca deixando-o sem nenhuma;
  • Violões intermediários também estão sujeitos a estes riscos. Assim, talvez valha trocar as cordas por grupos, mantendo sempre um mínimo de tensão;
  • No caso de violões reforçados, com bom tensor e ponte sólida, pode-se remover todas as cordas antes de realizar a limpeza.

A vantagem de retirar todas as cordas, ao trocar as cordas do violão, é a facilidade. Afinal, faremos toda uma limpeza profunda da escala, antes de posicionarmos o novo kit.

Porém aja com sabedoria. Não deixe o instrumento sem corda alguma a menos que tenha certeza de que suportará bem. O prejuízo pode ser grande, eventualmente.

Falando da remoção, é bem simples. A única grande dica é: nunca, jamais corte a corda tensa com alicate. Isso gera um estresse desnecessário, no instrumento.

Outro ponto interessante é fotografar a mão do instrumento ainda encordoado. Assim, você evita confusão na hora de posicionar o encordoamento novo.

Assim, afrouxe as cordas, corte e desfaça as amarras das extremidades. Soltas, enrole-as e descarte. Isso para não ferir as mãos do coletor de lixo. Simples assim!

Passo 2: Higienização da escala e limpeza do instrumento

Limpar um violão encordoado não é tarefa fácil. Especialmente perto da ponte e na mão do instrumento, há bastante acúmulo de poeira. Ela é bem chatinha de tirar, quando com as cordas.

Outro acúmulo indesejado ocorre na escala. Esse, por sua vez, é da mistura de poeira com gordura, produzida pelo suor. Isso gera uma massa escura, que se prende às casas do braço.

Para removê-la, é necessário utilizar um instrumento liso, com o qual rasparemos esse resíduo. Apenas atente-se para não machucar a madeira da escala, caso use um faca.

Para a limpeza, o álcool deve ser dosado com sabedoria. Se necessário, aplique pouco em uma flanela e higienize o instrumento por inteiro.

Dê bastante atenção às partes que têm contato com seu corpo. Elas costumam, também, armazenar resíduos de suor semelhantes ao da escala.

Finalize o polimento com a solução de lustrar móveis de sua escolha. Quanto à escala, busque sempre hidrata-la. Como não é envernizada, está mais sujeita ao ressecamento e dano.

Particularmente, prefiro utilizar azeite de oliva. Com o violão descansando na horizontal, derramo um fino fio da substância, espalho com o dedo e espero ser absorvida.

Você pode, também, utilizar outros óleos, como o de peroba. Evite apenas óleos de limpeza que possuam misturados elementos abrasivos. A ideia é hidratar, não ferir a madeira.

Passo 3: Posicionando as novas cordas

Trocar as cordas do Violão

Como você deve saber, é possível utilizar cordas de aço ou nylon. Entretanto, como explicamos no artigo apontado, cada violão é desenhado para um tipo específico de corda.

Assim, teremos que dividir este passo em dois. Assim, tratamos de forma bem clara o procedimento certo para cada instrumento.

Trocar as cordas do violão de nylon

Trocar as cordas de um violão de nylon pode ser um pouquinho mais complicado. Assusta, de início, mas você verá como tudo se desenrola bem.

Isso acontece porque há vários tipos de encordoamento. Alguns são “crus”, enquanto outros possuem laços, porquinhas ou travas.

Mas, antes disso, vamos identificar seu violão. Se ele possui um corpo normal, ponte de laço (sem bolinhas brancas de pressão) e tarraxas abertas e de plástico, é um clássico.

Via de regra, violões clássicos recebem cordas de nylon. Falamos bastante disso no artigo sobre tipos de corda. O link foi este aqui.

Identificado, a escolha do fabricante do encordoamento fica por sua conta. Embora seja mais fácil trocar as cordas do violão com um laço pronto, isso não garante qualidade do encordoamento.

Assim, ao se deparar com um encordoamento do tipo cru, fique em paz. Todo o processo será explicado com muito carinho e cuidado para você.

Passemos ao passo a passo.

Na ponte

A ponte de um violão clássico é tratada como “de laço”. Isso porque a corda deve passar pelo interior da ponte e receber uma amarração.

Quando falamos de encordoamentos que já possuem o laço pronto, isso é fácil. Basta passar a extremidade crua pela ponte, pelo laço e esticar. Não há qualquer segredo.

O mesmo ocorre quando uma das extremidades da corda tem porquinha ou trava. De fora para dentro, você passa a extremidade crua, e a trava faz o resto.

Já no caso das cordas cruas (cujas duas extremidades são lisas), o laço será feito por nós. Com dedicação e treino, o laço ficará firme e, ao mesmo tempo, muito bonito. Veja como:

  • De fora para dentro, passe uma extremidade da corda pelo buraquinho da ponte e a estique;
  • Deixe uma sobra justa, da outra extremidade, para a confecção do laço, que travará a corda e embelezará a ponte;
  • Para garantir que a sobra é ideal, teste se a corda chega com folga até as cravelhas da tarraxa;
  • Tudo certinho, pegue a sobra e envolva a corda que sobe pelo braço. Com isso, produziremos o laço;
  • Agora, pegue a ponta da sobra e enfie novamente por dentro do pedaço de corda que fica por cima da ponte. Estamos “costurando” o laço de travamento;
  • Repita o procedimento duas vezes mais, passando a extremidade de novo pela pedacinho que fica sobre a ponte;
  • Com certa força, puxe a corda que sobe pelo braço, firmando a ligação.

É extremamente importante que o laço seja firme. Por isso, a costura deve ser feita, no mínimo, duas vezes. No entanto três vezes é simplesmente ideal.

Na mão do instrumento

Tudo pronto na ponte, arrumaremos as cordas em suas respectivas cravelhas de plástico da tarraxa.

No caso dos violões de nylon, quanto mais corda enrolada na cravelha de plástico, melhor. Isso porque as cordas de nylon precisam de mais tensão para segurar a afinação.

Assim, passe a extremidade livre pelos buraquinhos da cravelha. Calcule mentalmente sobra para cinco ou seis voltas em torno da cravelha. Tudo bem?

Quando estiver com essa sobra, dê um nó simples, prendendo a corda à cravelha. É mais difícil nas cordas mais grossas, mas é ideal para conseguir afinação fixa mais cedo.

Agora, é hora de gerar tensão. Mas não muita, combinado? Apenas o suficiente para a corda estar bem posicionada, e tanto nó como laço se firmarem.

Terminado o processo, passe para a próxima corda. Todas prontas, vejamos a hora da afinação.

Trocar as cordas do violão de aço

O violão de aço recebe, também, o nome de violão folk. Ele possui o corpo amplo, tarraxas metálicas e blindadas e o braço mais estreito.

Outro diferencial gritante é encontrado na ponte: ela possui aquelas bolinhas brancas, com as quais se prende as cordas. Durante o processo, você perceberá que são pinos com formato de dentes.

Identificado seu instrumento como um destes, o processo será o seguinte:

Na ponte
  • Retire o encordoamento do pacote antioxidação;
  • Guiando-se pelas cores das porquinhas, separe as cordas na ordem indicada pelo fabricante. Esta informação é apresentada na embalagem do encordoamento;
  • Caso algum pino da ponte esteja preso, libere-o com a ajuda de uma moeda. Basta inserir a mão pela boca do instrumento e empurrar o pino para cima, desde dentro;
  • Enfie a extremidade da corda que possui porquinha no buraco específico da ponte. Isso garante que não haverá qualquer confusão de posicionamento;
  • Todas as porquinhas nos buracos corretos da ponte, posicione os pinos da ponte, fazendo certa força. Lembre-se de se servir da fenda para acomodar melhor os dois.
  • Puxe a corda suavemente, enquanto pressiona o pino da corda para baixo. Isso garantirá que estão bem posicionados e prontos para a tensão.
Na mão do instrumento

Todas as cordas presas na ponte, com ajuda dos pinos, é hora de seguirmos para a mão. Caso fique confuso quanto a posições, recorra à foto que tirou antes. Porém o processo é simples.

O grande segredo desta etapa é a lei do nem tanto, nem tão pouco. A corda sempre será muito maior que o necessário. Por isso, é preciso ter sobriedade quanto à quantidade.

Antes de tudo, você passará a outra extremidade, ainda livre, pelo buraquinho da tarraxa. Isso feito, é hora de medir a quantidade certa.

Para encontrar o ponto ideal, estique a corda e faça a medida de quanto dela será preciso. Dê uma leve folga, que servirá para enrolarmos na tarraxa, dando firmeza na fixação.

Quando achar que há sobra suficiente, dobre a parte que ficou de excesso, formando um cotovelo. A partir daí, é bastante simples. Bastará girar o tarraxa no sentido correto.

As cordas mais grossas devem, a partir da pestana, ser enroladas para dentro. As mais finas, do mesmo modo, enroladas para fora. Com isso, damos o aspecto característico e belo à mão.

Assim que você perceber que a corda adquiriu uma pequena resistência, passe para a próxima. Você não quer tensão demais nesse momento, tudo bem?

Todas prontinhas, será hora de afiná-las. Então, nos encontramos no passo 4, combinado?

Passo 4: Tensionando e, finalmente, afinando o novo encordoamento

Todas as corda estão posicionadas e firmes tanto na ponte quanto na mão do instrumento. Por isso, você já pode proceder com a tensão de fato e a afinação do encordoamento.

Os dois maiores problemas, aqui, são:

  • Atenção com os pontos de pressão: não queremos que as extremidades da corda se soltem;
  • Cuidado com a oitava correta: ultrapassar a oitava certa, com toda certeza, fará que a nova corda se estoure.

O primeiro caso, tratarei especificamente no caso do aço e do nylon. Já o segundo, tudo fica mais simples com ajuda de um afinador eletrônico, virtual ou um vídeo-guia.

Este aqui, por exemplo, dá exatamente a frequência que a nota deve soar. Afinal, todo Lá, grave ou agudo, é um Lá. Mas precisamos do Lá exato para afinar nosso instrumento.

Assim, basta encontrar um cantinho quieto e colocar os ouvidos para trabalhar. Nosso guia, apontado mais acima, será determinante do sucesso de sua afinação. Então, não deixe de lê-lo!

Tensionando um violão de aço

No violão de aço, o ponto de tensão mais preocupante é a ponte. Afinal, o pino de trava pode se soltar, liberando a corda e causando bagunça.

Para evitar que isso ocorra, faça o seguinte:

  • Posicione o violão em seu colo, confortavelmente, garantindo que seu rosto fique longe da ponte do instrumento;
  • Com uma das mãos, faça pressão sobre o pino, empurrando-o para baixo;
  • Utilizando a outra, gire a tarraxa, aumentando a tensão;
  • De tempos em tempos, teste se a sonoridade se aproxima da nota perfeita.

Quando estiver pronto, pode soltar o pino. Ele, com toda certeza, já está travado, e será seguro afinar.

Tensionando um violão de nylon

O violão de nylon requerirá mais atenção. Especialmente se o laço tiver sido feito por isso.

Aqui, é possível que haja liberação nas duas extremidades. Por isso, você segurará o violão como se fosse tocar. Tudo isso para evitarmos um acidente.

É importante confiar no nó e no laço que fizemos. Mas todo cuidado é pouco.

Aperte as tarraxas, buscando a sonoridade correta da corda.

Afinando após trocar as cordas do violão

Essa afinação será a mais difícil e mais repetitiva que faremos. As cordas estão se ajeitando; os nós e laços se prendendo; o pino se fixando.

Você fará a afinação, testará a sonoridade, mas ela não durará. O encordoamento precisará, ainda, de um tempinho para se aquietar.

No violão de aço, três afinações são mais que suficientes. Já no de nylon, o efeito indesejado durará alguns dias.

Basta reafirmar a afinação e tocar. Tocar bastante! Daí, tudo se ajeitará, e seu violão estará novo, com um som incrível e perfeitamente afinado.

Mudando o calibre das cordas

Muitas vezes, ao trocar as cordas do violão, o músico acaba alterando o calibre das cordas.

Isso ocorre principalmente em violões de aço. Busca-se timbre e experiência diferentes, apenas possíveis com cordas diferentes.

Porém, atenção: isso pode gerar empenamento e trastejamento.

Caso isso ocorra, busque um luthier. Com toda certeza, ele precisará regular o tensor do instrumento, devolvendo-o à normalidade.

E, em nenhuma circunstância, use calibres altos em instrumentos mais simples. Os danos podem ser irreversíveis!

Agora, conte-nos como foi sua experiência. Será um prazer imenso saber que pude te ajudar neste momento tão importante.

E, se gostou, não deixe de compartilhar este artigo com seus amigos e colegas de estudo. Todo mundo pode se beneficiar desta troca maravilhosa de conhecimento, que fazemos aqui.

Foi um prazer imenso ter você aqui outra vez. Fique sempre por dentro das novidades, combinado?

Até a próxima, caro aluno! Nos vemos em breve!

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About the Author: Mario Feitosa

Músico e compositor popular, o premiado escritor Mario Feitosa é especialista em tecnologia, poeta e redator. Baixista e violonista com décadas de experiência, seu compromisso é transformar a Música em matéria universal.

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