Desvendando o universo dos arpejos para violão

Arpejos são ferramentas excepcionais para composição e improviso. Valendo-se de seus desdobramentos, o músico tem acesso a um novo horizonte de execuções e sonoridades.

Quando estudamos o violão, chega aquela hora na que precisamos de mais. Mais técnica, mais beleza, mais! E esse mais, sem sombra de dúvida, repousa no universo dos arpejos.

Hoje, conheceremos sua natureza e as duas principais vertentes de ação. Com isso, você poderá iniciar seus estudos de arpejos, tornando-se um violonista dos grandes.

Vem comigo?

A origem dos arpejos

Os arpejos recebem seu nome de um instrumento antigo e já pouco convencional: a harpa. Nela, cada corda é responsável por produzir uma nota. Praticamente como as teclas do piano.

O harpista, ao tocar, puxa, com a ponta do dedo, a corda que deseja. Esse é o método usual de se tocar a harpa.

Por isso, quando reproduzimos isso em outros instrumentos de corda, dizemos que estamos “arpejando”. “Arpeggiare”, termo italiano, foi o responsável pelo nome da técnica.

Arpejos de violão em sua natureza

No violão, os arpejos dizem respeito ao tocar cada nota de um acorde separadamente. E, sim: exatamente como se fosse uma harpa.

Diferentemente do convencional, que é tocar todas as notas do acorde juntas, fazemos soar uma a uma. Isso proporciona leveza e elevação à melodia.

Os arpejos de violão surgiram com a criação do violão clássico. Nele, de modo distinto de outros ritmos, buscou-se copiar o piano, violino e harpa no nosso querido instrumento.

Enquanto o flamenco usa batidas de violão e ritmos ágeis, cheios e sensuais, os arpejos clássicos soam mais tranquilizantes e celestiais. Veja só:

Essa é Jesu, Bleibet Meine Freunde, de J. S. Bach, executada no violão. E, claro, por meio de arpejos.

Duas vertentes importantes dos arpejos de violão

Acontece que os arpejos não ficam apenas no “tocar nota a nota”. Isso é a ideia básica e fundamental.

Dentro do universo dos arpejos, temos variações e desdobramentos importantíssimos. Eles são responsáveis por uma infinidade de músicas e arranjos ricos, complexos e lindíssimos.

Dentre as duas principais colunas, temos os arpejos de mão direita e os de mão esquerda. Vejamos cada um deles.

Arpejos de mão direita: o coração do arpejo de violão

Sempre que ouvir falar nos arpejos de mão direita, pense imediatamente no dedilhado. Este é o nome mais popular que damos a essa vertente.

Nos arpejos de mão direita, a mão dos acordes trabalha exatamente como na batida. Os acordes são formados naturalmente, com todos os dedos posicionados simultaneamente.

A diferença no tocar repousa na mão do ritmo: ela será a responsável por soar nota a nota, em lugar de todas juntas. E sua postura é bastante específica, com o pulso levemente inclinado.

Aqui, cada dedo da mão direita possui uma função específica:

  • P: a letra representa o polegar. Ele se encarrega de tocar os bordões, ou seja, as três cordas mais graves (E, A e D);
  • i: em minúsculo, “i” simboliza o indicador. A corda G é sua responsabilidade;
  • m: trata-se do dedo médio. A corda B fica por sua conta;
  • a: o dedo anelar se ocupa da corda e (a mais fina).

Essa representação, usando letras maiúsculas e minúsculas, é praticamente regra. Ela nasce do trabalho do teórico Dionísio Aguado, o qual dedicou seus estudos aos arpejos.

Dentre as principais metodologias de aplicação dos arpejos Pima, temos;

  • P — i — m — a: na que cada corda é acionada por vez, indo de cima para baixo;
  • P — a — m — i: muito similar à anterior, porém as cordas finas são acionadas de baixo para cima;
  • P — i — m — a — m — i: muito comum em nossos dias. Nela, para cada bordão, tocamos G e B duas vezes.

Há outras múltiplas variações. Em algumas, inclusive, aciona-se mais de uma corda por vez, nos arpejos. Importa apenas que você conheça e exercite as variações básicas.

E lembre-se: a posição do pulso é muito importante. Caso não se atente a isso, você pode acabar lesionando o tendão. Até mesmo desenvolver LER (lesão por esforço repetitivo) pode ser consequência.

Portanto, tome bastante cuidado e mantenha a atenção sempre. Combinado?

Arpejos de mão esquerda: elevando os estudos para um nível superior

Nos arpejos de mão esquerda, temos o trabalho conjunto de ambas as mãos. Tanto a mão de ritmo quanto a dos acordes devem trabalhar juntas.

Os arpejos de mão esquerda são utilíssimos para violões de solo e improvisação. Guitarras também utilizam bastante esses arpejos para passagens e licks.

Aqui, cada nota da mão de acorde será pressionada sozinha. Esses arpejos utilizam as escalas musicais e o CAGED para aproveitar as notas do acorde em todo o braço do violão.

Apenas por exemplo: se fazemos arpejos de mão esquerda com C, vamos utilizar as notas C, E e G. E, como já é sabido, há oitavas dessas notas por todo o braço do instrumento.

Valendo-se da criatividade e do conhecimento das fôrmas de acordes, muita coisa excepcional poderá surgir desses arpejos.

Confira um exemplo interessante em Arpeggios from Hell, do Malmsteen:

Pontos importantes ao estudar arpejos

Além da já mencionada postura da mão de ritmo, há outros pontos importantes que você deve conhecer sobre os arpejos.

Falando dos arpejos de mão direita, é possível, sim, tocar com palheta. Contudo é sempre importante conhecer e ter intimidade com a ação de mãos limpas.

Há diversos treinos e músicas que utilizam o método. Quanto mais estudar, mais apto estará a desenvolver os arpejos com beleza e facilidade.

Já sobre os arpejos de mão esquerda, é preferível que cada nota soe sozinha. Afinal, não é esperado que se embaralhem.

Agora, chegou a hora de você agarrar seu violão e começar a aprender arpejos. Estude a formação dos acordes e as posições das notas, no braço. Você verá como sua técnica melhorará num piscar de olhos.

E, caso tenha surgido alguma dúvida, basta falar conosco nos comentários.

Compartilhe essa matéria com seus colegas de estudo. E esteja sempre por aqui! Mais e mais matérias magníficas estarão ao seu alcance.

Até logo, colega violonista!

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About the Author: Mario Feitosa

Músico e compositor popular, o premiado escritor Mario Feitosa é especialista em tecnologia, poeta e redator. Baixista e violonista com décadas de experiência, seu compromisso é transformar a Música em matéria universal.

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