Principais tipos de violão e suas variações

Tipos de Violão

Conhecer diferentes tipos de violão é maneira ótima de expandirmos a musicalidade. Afinal, podemos explorar timbres e projeções distintas, atingindo sonoridades antes desconhecidas.

No mercado, há uma quantidade imensa de violões. Eles possuem as mais diferentes formas e designs. Mas não para nisso: cada um possui sua função específica, brilhando em determinado estilo.

Para estender horizontes, escolhi, hoje, apresentar esta lista interessantíssima. Nela, conheceremos diferentes tipos de violão, suas características e aplicações convencionais.

E então? Que tal visitarmos juntos toda essa variedade? Será um prazer fazer este passeio contigo.

Vambora! Surpreenda-se!

Conhecendo os tipos de violão

Aqui, falamos de um instrumento tremendamente antigo. Quando entendemos a origem do violão, tudo fica mais interessante e, também, mais claro.

Afinal, o instrumento foi desenvolvendo-se de acordo à necessidade dos povos. Justamente por isso, hoje, no século XXI, temos tantos tipos de violão diferentes.

Conhecê-los permite-nos descobrir qual melhor cabe para nossa necessidade e estilo. Com isso, ganhamos oportunidade de soar como pretendemos. E até, de forma inusitada.

Tudo isso alimenta a criatividade e, em consequência disso, torna-nos músicos melhores. Nossas apresentações e composições ficam mais completas, encantando quem as assiste.

E, isso de tipos de violão, vai muito além de aço e nylon. A construção do corpo ou, mesmo, um mero detalhe alteram o que podemos ou não fazer com eles.

Assim, mergulhemos neste universo da luthieria criativa. Engenharia, marcenaria e música andam de mãos dadas, nesta matéria.

Os tipos de violão de modo geral

Antes de iniciarmos, falemos dos tipos de violão de modo genérico. Isso ajudará os mais iniciantes a não se perderem com as denominação, tudo bem?

Ainda, conseguiremos esclarecer dúvidas dos mais experientes que podem estar confusos sobre cada coisa.

É rapidinho, e acabará nos ajudando a todos. Veja só:

  • Acústicos: são os violões que não possuem nenhum tipo de captação embutida. Assim, toda sua sonoridade vem, pela boca, das vibrações no corpo de ressonância;
  • Semiacústicos: tratam-se dos violões que não possuem uma boca expressiva. Pequenas fendas ou furos garantem pouca expressão acústica. Possuem captação;
  • Eletroacústicos: possuem corpo de ressonância pleno. Contudo também apresentam captador e, muitas vezes, equalizador embutido. São, assim, híbridos e versáteis;
  • Elétricos: são violões que não possuem saída acústica (a boca). Dependem, sempre, de amplificação para tocar por sua sonoridade abafada.

Há, no entanto, muita confusão. Especialmente no mercado de instrumentos. Costuma-se chamar de “elétrico” qualquer violão com captação ativa e equalizador.

Todavia isso não é verdade. Estes violões, com boca, corpo largo são híbridos. Podem ser tocados tanto acusticamente quanto amplificados. São, portanto, eletroacústicos. Tudo bem?

Para se ter mais clareza, um violão elétrico é quase uma guitarra. Desligado da amplificação, soa muito baixinho e sem graça.

Tipos de violão por estrutura e design

Seguiremos as apresentações focando nas características físicas dos violões. Assim, temos design e construção como elementos fundamentais de diferenciação.

Vamos lá?

O violão clássico

Definitivamente, temos que iniciar os tipos de violão começando por este: o clássico. E recebe este novo justamente por ser o mais universal dentre todos. Tanto espacial quanto temporalmente.

É, basicamente, um dos primeiros violões a ter nascido. Foi ele quem primeiro se expandiu pelo mundo, ganhando adeptos desde tempos remotos.

E engana-se quem julga ser um violão exclusivamente para música clássica. Não é essa a razão de seu nome. Embora, sim, ele funcione perfeitamente bem naquele estilo.

Em termos práticos, o violão clássico possui estas características:

  • Tamanho médio: sendo perfeito para todos os músicos por sua ergonomia e leveza. É excelente para ser tocado no colo, com o músico sentado;
  • Corpo inteiriço: ou seja, sem a presença do cutway (aquele corte próximo aos agudos);
  • Braço mais curto, porém largo e fino: a escala não possui grande extensão. Além disso a estrutura do braço garante conforto para acordes complexos, com várias adições;
  • Ponte em cavalete: aquela, que possui furinhos que a atravessam. Assim, as cordas são amarradas a ela com laços. Veja como funciona na matéria sobre trocar as cordas do violão;
  • Mão entalhada, com tarraxas abertas e cravelhas brancas: por ser submetido a menos pressão pelas cordas, essas tarraxas permitem segurança com materiais mais leves;
  • Encordoamento predominantemente de nylon: e, mesmo nos casos em que se usa aço, há uma deturpação de sua função original. Por isso, utilize sempre nylon neles;
  • Totalmente acústico: assim, não há captador embutido. Toda a sonoridade é produzida pelo corpo de ressonância e transmitida pela boca do instrumento.

Falamos, desse modo, de um violão ótimo para qualquer músico. Dos iniciantes ao mais avançado violonista, o violão clássico atenderá com maestria suas necessidades.

Como exemplo de violão clássico, deixo o Giannini Acústico Start N14 Natural. Trata-se de um ótimo instrumento com custo bastante acessível.


Os violões flat, semiflat e vazado para nylon

Ainda seguindo com tipos de violão ideais para encordoamento de nylon, temos estes três: o flat, o semiflat e o vazado. Contudo alguns fabricantes trabalhem, também, com aço.

Todos estes são alternativas para o violão clássico em apresentações. Via de regra, possuem captação e equalização embutida. Podem ser eletroacústicos, semiacústicos e elétricos.

Isso dependerá de cada fabricante, e de suas expectativas de público-alvo.

A principal característica que os difere dos demais é seu corpo: falamos de uma caixa de ressonância “magra”, por ser bastante fina, no violão flat.

No caso dos semiflat, obviamente, temos um corpo intermediário entre o normal e o flat. Alguns possuem as costas em fibra preta, arredondada. Isso os torna mais ergonômicos.

Sobre o vazado, temos um violão totalmente elétrico. Ele sequer possui qualquer corpo de ressonância. Uma moldura de fibra cria seu formato.

Em geral, são violões para serem tocados em pé, com correia. Sua baixa ressonância natural reduz microfonia. Isso os torna excepcionais para palco, em shows.

No mais, compartilham muitas características com o clássico:

  • Encordoamento predominantemente de nylon;
  • Braço largo e fino;
  • Mão entalhada com tarraxas abertas: exceto no caso do vazado, que possui mão invertida, junto à ponte;
  • Dimensões gerais médias: não sendo violões grandes e pesados.

A grande maioria, ainda, possui cutway. Mas convenhamos: é apenas uma alternativa estética, sem grandes finalidades. Especialmente quando utiliza-se nylon em suas cordas.

Trazendo exemplos de violão flat, temos:

Strinberg SC35C N, como exemplo de um violão flat eletroacústico;

Tagima Vegas Mahogany, um perfeito semiflat eletroacústico;

Marquês Vn-12 Godin, violão flat semiacústico;

Tagima Modena I, demonstrando um violão flat elétrico;

Marquês Castanho Vazado Fishman VN-18CT, um violão vazado convencional.


Violões flat, semiflat e vazados para aço

Os violões a seguir seguem os mesmos princípios dos destinados a nylon. Entretanto há algumas características que devem ser analisadas, antes da compra.

Afinal, cordas de aço produzem uma tensão muito maior que as de nylon. Sem reforços e tarraxas especiais, o instrumento empena e se estraga.

Assim, temos em comum com os anteriores:

  • Corpo menos profundo: sendo finíssimo, no flat; um pouco menos fino no semiflat e ausente no vazado;
  • Dimensões médias.

Além da diferença de encordoamento — que, aqui, é aço —, temos:

  • Escala mais longa, com cutway sempre presente: pois o brilho do aço permite solos nos agudos finais do braço;
  • Mão lisa, com tarraxas blindadas e cromadas;
  • Ponte perfurada: as porquinhas das cordas ficam presas nos pinos ou superfície de tensão. Não há, assim, laços que as prendam;
  • Braço com tensor forte: evitando empenamento e mantendo a afinação por mais tempo;
  • Captação e equalização embutida.

Trazendo exemplos, temos:

Hofma HMF240: um mini jumbo flat e semiacústico para aço;

Strinberg SF200C MGS: semiflat eletroacústico para aço;

Yamaha Silent SLG200S: violão vazado especial para aço.

Nestes tipos de violão para aço, violões elétricos não são utilizados. Quando há demanda pela sonoridade exclusivamente elétrica, utiliza-se guitarras. Tudo bem?


Violão de Sete: o rei das rodas

Concluindo os tipos de violão especiais para nylon, temos o imperador: o violão de sete cordas. Recebe, como apelido carinhoso, o título de “brasileiríssimo”, por sua importância em nossa cultura.

Estruturalmente, falamos de um violão clássico quase convencional. Idealmente, é puramente acústico, e recebe amplificação, se necessário, por captação indireta, por microfones.

A grande diferença, entre o senhor 7 e o clássico, dá-se pela adição de uma sétima corda. Ela é mais grave que todas as demais, soando um Si (B) uma oitava abaixo da casa 7 da corda Mi (E).

Obviamente, a afinação da sétima corda estará ao encargo do músico. Porém, por questões lógicas e práticas, mantê-la na afinação padrão ajuda, ao escalonar.

Há, no entanto, um grande porém, que torna o senhor 7 um violão único: seu uso é exclusiva e imperativamente destinado aos arpejos de violão. Fora disso, sua existência perde sentido.

E é simples: o clássico permite tocar por batidas. Não é ideal, mas funciona. Já o senhor 7, não. Dedilhados e fabricações pontuais são sua natureza. Nelas, o baixo é gerado fluido.

Como Exemplo temos: Violao 7 Cordas Nl Rx207


No universo do aço: o violão folk

Começamos, a partir daqui, a apontar os tipos de violão destinados ao aço. Robustez e brilho são suas marcas. Um sem fim de músicos — incluo-me nisso — não o largam por nada!

Neste então, temos o violão folk como o mais popular, difundido internacionalmente. Trata-se de um instrumento novo, nascido com o Blues e mantido vivo pelo Rock e Pop mundial.

O aço, nestes instrumentos, ganha vida e sentido. Os graves são metálicos, enquanto os agudos reluzem avulsos, independentes. Sua força é ímpar, merecendo destaque.

Dentre as características, temos:

  • Corpo amplo e profundo: trata-se de um instrumento grande e um tanto mais pesado que os demais;
  • Tampo reforçado: garantindo resistência à alta tensão das cordas, geralmente 0.010 ou superiores;
  • Ponte perfurada: exatamente como nos flat, semiflats e vazados para aço. Com isso, a madeira não se degrada tanto ao longo do tempo;
  • Pinos removíveis de pressão: aquelas bolinhas brancas, que seguram as cordas na ponte. Sendo substituíveis, garantem longevidade ao instrumento.
  • Braço reforçado, grosso, estreito e com escala alongada: permitindo solos e riffs, bem como batidas ininterruptas e poderosas;
  • Tensor forte: evitando empenamento e mantendo afinação;
  • Mão lisa, com tarraxas blindadas e cromadas: característica mandatória de todo instrumento destinado ao aço;
  • Marcação tanto na escala quanto no braço: garantindo liberdade para tocar em pé sem confusão.

Nos violões folk, pode ou não haver cutway. Isso depende muito de cada fabricante.

Confira exemplos ótimos — que, inclusive, indico para você como instrumentos ideais —:

Todos estes, apontados, possuem um preço “alto”, mas entregam com maestria.

Reparou como as características apontadas estão presentes em todos?


Mais do mesmo? Ou muito mais, com um pouco a menos? As 12 cordas

O papel ocupado pelo senhor 7, no nylon, cabe ao 12 cordas, no aço. Sua sonoridade é única, terrivelmente expressiva, embora ele seja tocável por qualquer músico.

No caso do 7 cordas, é preciso estudar uma ciência particular. Caso contrário, os resultados são desastrosos.

Já o violão de 12 é, basicamente, um violão folk comum. Tocá-lo é imediato, para quem sabe o que está fazendo.

Ocorre que todas suas cordas são dobradas. Mas não apenas isso. Elas recebem afinação em oitavas diferentes: uma grave, outra aguda ou dobrada.

Com isso, temos a sonoridade de múltiplos instrumentos em um só. E, quanto mais bem executados os ritmos e arpejos, mais impressionante tudo se torna.

Particularmente, julgo o violão de 12 um sem par. Com ele — e só com ele — é possível criar uma apresentação impactante, emocionante e incrivelmente belíssima.

Apresento, assim, o Ibanez PF 1512 ECE NT. Fico obrigado a confessar: tenho um e, honestamente, não troco ele por nada!


Tipos de violão pouco — ou nada — convencionais

Estes instrumentos, apontaremos a título de curiosidade. Mas, se você tem dinheiro sobrando, eles podem ser bastante interessantes para você.

Apenas aponto, com toda minha sinceridade, que o músico não perde nada se não dispõe de um deles. Por isso, não sofra. Aposte sempre no certo, combinado?

Zerinho, ou o “0”

O zerinho é um violão recreativo. Até parece infantil — e funciona, sim, para crianças —, mas seu objetivo é outro: mobilidade para treino e diversão.

Seu tamanho é pequeníssimo. Quase tão pequeno quanto um ukulele barítono.

Não há muito mais a dizer. Se puder comprar um para viagens, compre.

Duplo e triplo zero

Os violões 00 e 000 — ou duplo e triplo zero — são levemente maiores que o zerinho. Tornam-se príncipes, quando o músico executa fingerstyle.

Você sabe o que é isso? Se não, recomendo ver este vídeo:

É claro que o 00 é menor, e o 000, um pouquinho maior que este. A diferença de timbre funciona, no fingerstyle, na projeção de som e característica.

Jumbo, o gigante dos violões

O violão jumbo deve sua fama a Elvis Presley. Falamos de um instrumento muito grande, quase desproporcional. Sua caixa de ressonância produz muito volume e brilho.

Na prática, ele não é nada prático. De difícil transporte e pouco cômodo, falamos de um violão para evitar.

Seus tempos áureos estão no passado. Lá, quando todo violão precisava de amplificação, ele imperava. Hoje, com captadores e microfones boom, seu tempo, verdadeiramente, acabou.

Mas, se você quer a experiência, tudo bem! O som é bonito, muito encorpado e presente. Você, com certeza, terá bons momentos, ao tocá-lo.

Apenas não toque por muito tempo. Ele é, verdadeiramente, bem desconfortável.


Os tipos de violão e seus estilos ideais

Você já conhece todos os tipos de violão e seus encordoamentos ideais. Ouso afirmar que já aprendeu como escolher seu instrumento com base nos detalhes.

Agora, falaremos bem pouquinho sobre os estilos ideais para cada um. Juro: será uma conversa rápida, mas muito ilustrativa.

Música erudita e clássica

A música clássica, especificamente, não abarca o violão. Porém é possível adaptar suas peças para execução no violão.

Considerando isso, temos duas oportunidades: dedilhados complexos e os solos.

Para os dedilhados, não resta dúvida: o violão clássico torna-se ideal. É possível executar as peças solo, ou com acompanhamento de cordas clássicas. Violino e violoncelo, por exemplo.

Mas, para executar clássicos em solos, com arpejos de momento, dou uma dica: o violão de 12 cordas pode fazer um trabalho impressionante. Mesclar notas avulsas com dobradas é aconselhável.

Já para a música erudita, tanto o clássico quanto o senhor 7 são perfeitos. No caso das sete cordas, basta estudar e aprimorar a ciências. Os baixos, com certeza, farão tudo magnífico.

Samba, pagode, bossa e choro

A música brasileira, de raiz, brilha nos violões clássicos. Puxadas, dedilhados e boleros ficam perfeitos, por sua massa uniforme e de brilho baixo.

Havendo amplificação, os flat, semiflats e vazados entregam muito bem. Tanto que Caetano, Gil e Chico servem muito bem deles, em seus shows.

Num violão clássico, a puxada do samba ganha vida! Que nos contem João Gilberto e Bosco.

Já sobre o choro, por sua estrutura, permita-se aprender a tocar o senhor 7. E sabe quem mata e morre, quando tocando um? Ele mesmo: Yamandu Costa. Ouça-o e maravilhe-se:

Flamenco, tango, chacareira e música cigana

Flamenco, a chacareira argentina e a música cigana pedem o violão clássico.

Você se lembra que, mais cedo, comentei que o clássico aceitava batidas? Disse-o com razão! Confira, só, os Gipsy Kings:

Ainda, confira Los Nocheros, e a impressionante chacareira:

Sobre o tango e os arpejos:

E, claro, o flamenco:

POP, Rock e, até, o Metal

POP, Rock e, mesmo, o Metal exigem o violão folk. Obviamente, flats, semiflats e vazados trabalharão bem. Porém há a questão da microfonia, importante nos estilos mais pesados.

Vejamos exemplos:

KISS, e a perfeita mescla de ritmo e solos:

Mr. Big e o solo inesquecível, a duas notas:

Alejandro Sanz e Alicia Keys, e as batidas latinas no folk:

White Buffalo e o poder do violão folk na música mais densa:

E, como não poderia faltar, Zakk Wylde:

Espero, com esta lista, ter ajudado você com suas dúvidas. Afinal, há muita desinformação misturada com informação, pela internet.

Mas, aqui no Dicas, nossa preocupação é com você! E é por isso que adoramos escrever para você e, claro, adoramos sua presença.

Você é muito importante para nós. Muito!

Esteja conosco, então. Seu aprendizado, conosco, acontece.

Até mais, caros alunos. Nos vemos em breve!

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About the Author: Mario Feitosa

Músico e compositor popular, o premiado escritor Mario Feitosa é especialista em tecnologia, poeta e redator. Baixista e violonista com décadas de experiência, seu compromisso é transformar a Música em matéria universal.

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